sexta-feira, 8 de março de 2013

MULHER MULHERAIS MELHOR RADICAIS

Clodomir Monteiro

Do dia internacional da mulher
8.3.2013

melhor murmúrio que onda do mar
fofa agitada formando maré
crista da onda com vida mulher
cavada espumante caldo cultura

mó moedura movendo o poder
frita calada na areia em pé
no dia a dia do seu mulhermar
sussurra juras transpira prazer

melhor deixar comandar esta praia
quem dela faz fluidez de ternura
fazer  leque mãe em tubo da vida
ao nos levar em seu tour de manobras

seja aqui ou nu Sunset Beach
melhor seguir bateria fervura
não marolar pipocar merrequinha
mulher mulherais melhor radicais

sexta-feira, 1 de março de 2013

REVISTA RAÍZES

EMPRESÁRIOS 
Clodomir Monteiro 


máquinas cortando atalhos
rasgando tubos
troncos caindo ao som dos galhos
cobrindo áreas
barracos com pernas mansas
pelos ares

balseiros carregando planos
virando areia
represa fácil de água muita
comendo terras
em presa moto no tronco grosso
vencendo serras

empresários tomam mares de whisky
bem frios calados estouram lares
para o gado engordar
empresam rios
na cidade a carne humana
pele e osso


O poema “Empresários” foi publicado na edição número 2 da revista “Raizes”, publicada em Abril de 1977, na Cidade da Praia, pela Imprensa Nacional de Cabo Verde, África.

Mais informações sobre essa histórica revista no blog DEBAIXO DO BULCÃO

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

NATAL DA POEMARIA (i)

Clodomir Monteiro 


feliz natal da palavra
no ano bom do poema
nasceu na palavraria
filha da poemaria

Deus averbou sua lavra
daquela que se calava
no berço humano do ser
feita por si falaria

simbola tudo que vela
daquele sentido ausente
presente antes da prosa
no som sinal se declara

semeada por toda parte
se não se ler fica só
poesia avia universo
som tempo mente imagem

feliz poema natal
em cada verso outro verso
nutre poiésis no berço
diversifica linguagem

natal prazer da poesia
mãe do nascer indigente
que no velhinho da gente
poema nasce inocente


[i] Para Nilto Maciel escrita poema tropel Natal de 2006, atualizado.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

POR NÓS PELA ACADEMIA ESTEJAMOS NO SARAU LITERÁRIO - O POEMA É MEU AGRADECIMENTO

OFERTADO A TODOS OS MEMBROS DA ACADEMIA ACREANA DE LETRAS
e aos demais que os lerem


AOS GUARDADORES DE LEMBRANÇA
TENDA DE ZINCO

Clodomir Monteiro


veredas sonhos dimensões que ponho
acima mesmos derramando idades
amizades amorizações janelas
solar de filhos canto andando somos

espaços livros de memória
porões grilhões silenciados
cobrindo folhas livres zinco
paredes rachaduras martirizam

reféns alguns fendas que fomos
horizontes domos mastodontes
cativas ouvindo folhas zinco
fruindo brotos concertos saírem

mostremos fendas renovadas flores
manejo de esperantos horizontes
crianças rejeitadas em solares
amadas noites em tempos lunáticos

perdemos voos som de zinco sonos
soltando encantos cantos liberdade

quinta-feira, 12 de julho de 2012

PAZLAVRA

Para Nilto Maciel


sim não usamos palavra
somos levados por ela
se sua lavra nos livra
só somos eco daquela

ao repetir só de ouvido
o já pensado bem antes
não criaremos de novo
o solto som de um poema

pá cava fala e enterra
o que tão cedo é depois
amarga amar la na cova
pó do coveiro a descer

ao dizer morta mordaça
idiota idioma da guerra
árabeamericano
jaz lá na tumba penumbra

forca na fala da força
muda irá que engolira
ara aduba tirano
palavra da paz retumba


São Sebastião do Caí, RS, Brasil


Poema Publicado em
Ano XVI, novembro de 2006 a abril de 2007
Iniciada em janeiro de 1992, em Brasília
Editor/fundador: Nilto Maciel

sábado, 23 de junho de 2012

O FATO

a presença
            do silêncio
            corpo/lento
no sem tempo

a ausência
            da palavra
            engolindo
já sem tema

a palavra
            sufocada
            na garganta
engarrafada

a paciência
            numa casa
            com a fala
engavetada

só suporta
            no suporte
            viva voz
violentada

aparência
            transporta
            o pensamento
a palavra

no seu tempo
            invernizando
            a palavra
casamento


MONTEIRO, Clodomir. Derroteiro de Rotinas. São Paulo: Quíron/Práxis, 1976. p.31