segunda-feira, 25 de março de 2013

VIDA COM BATIDA

Clodomir Monteiro



a batida          nas costas
no copo
                         rebate
conversa       conserva na mesa

anima             a fala
é lima
                         na folha
comício          com vício não muda

a bebida         no fundo
confunde
                         protesto
possesso      babando no prato

vê limão         afundando
e não sente
                         inocente
conserva       o sumo do fato

a batida         no corpo
de vidro
                         a cara
embutida       estira na esteira

bedendo        com sumo
a vida
                        sem rumo
a cura            da cara          estia

o copo           sambando
convida
                        conviva
na mesa        consome       conversa



MONTEIRO, Clodomir. Derroteiro de Rotinas. São Paulo: Quíron/Práxis, 1976.


sexta-feira, 8 de março de 2013

CORDEIRO COME LOBO [1]

Clodomir Monteiro
no dia da mulher

                                                 Ao depreda dor João Werner:
                                                Em 8.3.13 


quem  cordeiro de quem
se cada lobo vem
sabe a fome consome
conforme nome  tem

online fim de linha
tiro eco poema
como errado se aninha
verso sim desalinha

eco beleza não
convenção telecida
home fome sem nome
corpo morde  seu tempo

sobre vive a fêmea
dor instinto extinto
cheira língua e tato
dente água ao prato

imersão pós instinto
surpresa assa palavra
deixa ladra de pato
carne preda poesia


[1] CONVENÇAO CORDEIROS E LOBOS. Todos os signos conversam entre si.

MULHER MULHERAIS MELHOR RADICAIS

Clodomir Monteiro

Do dia internacional da mulher
8.3.2013

melhor murmúrio que onda do mar
fofa agitada formando maré
crista da onda com vida mulher
cavada espumante caldo cultura

mó moedura movendo o poder
frita calada na areia em pé
no dia a dia do seu mulhermar
sussurra juras transpira prazer

melhor deixar comandar esta praia
quem dela faz fluidez de ternura
fazer  leque mãe em tubo da vida
ao nos levar em seu tour de manobras

seja aqui ou nu Sunset Beach
melhor seguir bateria fervura
não marolar pipocar merrequinha
mulher mulherais melhor radicais

sexta-feira, 1 de março de 2013

REVISTA RAÍZES

EMPRESÁRIOS 
Clodomir Monteiro 


máquinas cortando atalhos
rasgando tubos
troncos caindo ao som dos galhos
cobrindo áreas
barracos com pernas mansas
pelos ares

balseiros carregando planos
virando areia
represa fácil de água muita
comendo terras
em presa moto no tronco grosso
vencendo serras

empresários tomam mares de whisky
bem frios calados estouram lares
para o gado engordar
empresam rios
na cidade a carne humana
pele e osso


O poema “Empresários” foi publicado na edição número 2 da revista “Raizes”, publicada em Abril de 1977, na Cidade da Praia, pela Imprensa Nacional de Cabo Verde, África.

Mais informações sobre essa histórica revista no blog DEBAIXO DO BULCÃO

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

NATAL DA POEMARIA (i)

Clodomir Monteiro 


feliz natal da palavra
no ano bom do poema
nasceu na palavraria
filha da poemaria

Deus averbou sua lavra
daquela que se calava
no berço humano do ser
feita por si falaria

simbola tudo que vela
daquele sentido ausente
presente antes da prosa
no som sinal se declara

semeada por toda parte
se não se ler fica só
poesia avia universo
som tempo mente imagem

feliz poema natal
em cada verso outro verso
nutre poiésis no berço
diversifica linguagem

natal prazer da poesia
mãe do nascer indigente
que no velhinho da gente
poema nasce inocente


[i] Para Nilto Maciel escrita poema tropel Natal de 2006, atualizado.